Janeiro é o mês oficial do planejamento. Enquanto muitos estão focados em organizar o IPVA, o licenciamento e as metas de economia, quem possui um veículo, seja ele um “zero quilômetro” recém-saído da concessionária ou um modelo que já o acompanha há anos, precisa dar atenção especial a um item vital: o Seguro Auto.
O início do ano é o período em que grande parte das apólices chega ao vencimento ou em que os consumidores aproveitam para rever seus custos fixos. No entanto, renovar o seguro “no automático”, apenas repetindo o que foi feito no ano anterior, é um dos erros mais comuns e caros que você pode cometer. O mercado de seguros é dinâmico, as tabelas de preços mudam e as suas necessidades de uso do carro também evoluem.
Para garantir que você não jogue dinheiro fora e, principalmente, não fique na mão quando mais precisar, o Tô Segurado preparou este guia aprofundado. Antes de assinar qualquer renovação ou fechar uma nova cotação em 2026, você deve fazer estas 5 perguntas fundamentais.
1. O valor de cobertura está alinhado com a Tabela Fipe atual?
A Tabela Fipe é o termômetro do mercado automotivo brasileiro. Ela expressa a média de preços de veículos anunciados por vendedores no mercado nacional. No entanto, o mercado é volátil. Nos últimos anos, vimos fenômenos atípicos de valorização de carros usados e, posteriormente, correções agressivas de preços.
- Indenização por valor de mercado: a maioria das apólices atuais trabalha com a modalidade de “Valor de Mercado Referenciado”. Isso significa que, em caso de perda total (roubo sem recuperação ou colisão com danos acima de 75%), você receberá o valor que o seu carro vale no dia do pagamento, e não no dia em que assinou o contrato.
- O ajuste da porcentagem: você sabia que pode contratar 110% da Fipe? Isso é muito útil se o seu carro possui opcionais caros que não são tabelados (como bancos de couro de fábrica, sistemas de som premium ou blindagem). Por outro lado, se você possui um veículo de frota ou com histórico de leilão, a seguradora pode oferecer apenas 80% ou 90% da Fipe.
- Por que revisar agora? no início do ano, com a virada do modelo/ano, os preços costumam oscilar. Se você contratou um valor fixo (modalidade Valor Determinado) há um ano, ele pode estar drasticamente defasado hoje, deixando você com um prejuízo enorme em caso de sinistro.
2. Qual é o meu limite de cobertura para terceiros (RCF-V)?
A cobertura de Responsabilidade Civil Facultativa de Veículos (RCF-V) é, estatisticamente, a cobertura mais acionada e a que mais protege o seu patrimônio de longo prazo. Ela não serve para o seu carro, mas para pagar o conserto do carro de outra pessoa, despesas médicas de terceiros ou até indenizações judiciais.
- O custo da modernidade: reflita sobre os carros que circulam ao seu redor. Hoje, um SUV médio popular possui faróis em LED que custam R$ 5 mil cada, sensores de ponto cego nos retrovisores e radares de frenagem autônoma no para-choque. Uma colisão leve pode facilmente gerar um orçamento de R$ 40 mil. Se você bater em um veículo premium, como uma BMW ou um Volvo, qualquer “encostada” supera os R$ 80 mil.
- Danos corporais e morais: além dos danos materiais, o RCF-V cobre danos corporais. Se você causar um acidente com vítimas, as despesas hospitalares e possíveis pensões vitais são cobertas por aqui. Em 2026, limites de R$ 50 mil são considerados perigosamente baixos.
- O custo-benefício do aumento: o que a maioria dos consumidores não sabe é que aumentar a cobertura de terceiros de R$ 50 mil para R$ 150 mil custa, muitas vezes, menos de R$ 100,00 na anuidade do seguro. É o investimento com o maior retorno em paz de espírito que existe.
3. Minha assistência 24h cobre a quilometragem das minhas metas de viagem?
Muitas pessoas olham apenas para o valor da parcela e ignoram as “letras miúdas” da assistência. No início do ano, quando traçamos planos de férias, feriados de Carnaval e viagens de inverno, o alcance do seu guincho se torna uma questão de segurança familiar.
- O perigo da quilometragem limitada: imagine que você mora em São Paulo e decide viajar para o Rio de Janeiro (cerca de 430 km). Se o seu seguro tem guincho de 200 km e seu carro sofre uma pane no meio do caminho, a seguradora só o levará até a metade do trajeto. Para trazê-lo de volta ou levá-lo ao destino, você terá que pagar por cada quilômetro excedente, o que pode custar mais caro que a própria anuidade do seguro.
- Assistência em viagens (serviços extras): verifique se o seu seguro oferece hospedagem em hotel caso o carro quebre e você não tenha como seguir viagem imediatamente, ou até passagens para que os ocupantes retornem ao domicílio.
- Carro reserva: pergunte sobre os critérios. Ele é liberado apenas em perda total? Ou também em perda parcial (quando o carro está na oficina)? E em caso de pane mecânica? Ter um carro reserva por 7, 15 ou 30 dias pode salvar a rotina da sua família enquanto o seu veículo é consertado.
4. O perfil de condutores e o uso do veículo ainda são os mesmos?
As seguradoras utilizam cálculos estatísticos complexos para definir o preço do seguro. O local onde você mora, sua idade e quem dirige o carro são as variáveis que mais pesam. O problema é que a vida muda rápido e, se a apólice não acompanhar, a cobertura pode ser anulada.
- O risco dos novos motoristas: se você tem filhos que completaram 18 anos ou tiraram a CNH recentemente, eles precisam estar na apólice se utilizarem o carro, mesmo que seja apenas uma vez por semana para ir à faculdade. O motorista jovem (18 a 25 anos) é a classe de maior risco. Se ele bater o carro e não estiver declarado, a seguradora alegará má-fé e negará a indenização integral.
- Mudança de CEP e uso comercial: você mudou de casa? Seu novo prédio tem garagem? Você passou a usar o carro para trabalhar como representante comercial ou em aplicativos de transporte? Cada uma dessas informações altera o risco. No início do ano, faça um “pente fino” na sua rotina. Se você omitir que agora usa o carro para trabalhar e sofrer um acidente durante o horário comercial, a seguradora terá base legal para não pagar o sinistro.
- Garagem e segurança: se você instalou câmeras, portão eletrônico ou passou a deixar o carro em estacionamento fechado no trabalho, informe ao corretor de seguros. Isso pode gerar descontos bem-vindos na renovação.
5. Qual modalidade de franquia faz mais sentido para o meu bolso hoje?
A franquia é a sua participação financeira nos danos parciais do seu veículo. É o valor que você “tira do bolso” para que a seguradora pague o restante do conserto. No planejamento de início de ano, você deve alinhar esse valor com a sua reserva de emergência.
- Franquia normal (ou obrigatória): costuma ser um valor mais alto. Como você assume uma responsabilidade maior no risco, o valor que você paga mensalmente (o prêmio) fica mais barato. É indicada para quem tem uma reserva financeira guardada e quer economizar no custo fixo mensal do seguro.
- Franquia reduzida: você paga um valor menor na hora do conserto (geralmente metade da normal), mas a parcela mensal do seguro sobe. É a escolha ideal para quem não quer ter um desembolso grande e inesperado de uma só vez.
- Franquia para pequenos reparos: verifique se compensa acionar o seguro para danos pequenos. Às vezes, o conserto de um para-choque custa R$ 1.200,00 e a sua franquia é de R$ 3.000,00. Nesse caso, o seguro não paga nada. Por isso, a cobertura de “Pequenos Reparos” ou “Martelinho de Ouro” tem se tornado tão popular: ela permite consertar esses detalhes pagando uma franquia muito menor e específica.
Check-list: o que não pode faltar na sua renovação
Use esta tabela como guia para sua próxima reunião ou ligação com o seu corretor de seguros.
| Pergunta Técnica | O que você deve exigir | Impacto no seu bolso |
| qual a modalidade da Fipe? | 100% ou mais (se houver acessórios). | evita prejuízo financeiro na perda total. |
| qual o limite de RCF-V? | Mínimo R$ 100 mil (Material/Corporal). | protege contra consertos caros de terceiros. |
| qual o alcance do guincho? | Mínimo 400 km ou Ilimitado. | segurança total em viagens de férias. |
| quem são os condutores? | Listar todos, especialmente jovens. | garante que a indenização seja paga sem burocracia. |
| qual o tipo de franquia? | Reduzida (se não tiver reserva) ou Normal. | alinha o gasto do sinistro com seu fluxo de caixa. |
| tem cobertura de vidros? | Incluir faróis, lanternas e retrovisores. | evita pagar franquia cara por uma quebra de vidro. |
| há carro reserva? | Mínimo 15 dias, incluindo pane. | mantém sua mobilidade enquanto o carro está parado. |
O planejamento é a sua melhor cobertura
O seguro auto não é um produto estático que você compra e esquece na gaveta. Ele deve acompanhar as nuances da sua vida, as mudanças no seu orçamento e as metas que você traçou para o novo ano. Fazer essas 5 perguntas no início de 2026 não é apenas uma forma de tentar baixar o preço, mas uma estratégia de gestão de riscos para garantir que o seu patrimônio esteja realmente protegido.
Lembre-se: o seguro mais caro é aquele que, na hora da necessidade, não cobre o que você esperava. A transparência com o seu corretor de seguros e a atenção aos detalhes das coberturas são o que separam um contrato burocrático de uma solução financeira eficiente.
O Tô Segurado facilita esse processo para você. Nossa plataforma te conecta a corretores de seguros que estão prontos para responder a essas perguntas e encontrar a melhor oferta entre as maiores seguradoras do país, garantindo que o seu seguro seja sob medida para o seu 2026.
Acesse o Tô Segurado agora, revise sua apólice e dirija com a tranquilidade de quem está realmente protegido.
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O Tô Segurado é uma plataforma de simulação online de seguros, sendo a cotação e contratação de seguros responsabilidade do corretor de seguros. Todas as informações fornecidas pelo corretor de seguros são de sua responsabilidade. O Tô Segurado também não se responsabiliza pelas informações fornecidas pelas seguradoras, informações estas utilizadas como base principal para gerar a estimativa de preço do seguro.
